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terça-feira, 20 de setembro de 2016

Porque nunca é tarde para recomeçar...

Olá!
Nossa, como esse ano passou rápido! Tantas mudanças e turbulências na vida política e econômica desse país que parece que não tivemos tempo nem para respirar! Você também se sente assim?

Comecei esse projeto em janeiro desse ano, com a proposta de me dedicar a outros interesses, além do lado profissional (relembre meu primeiro post aqui); no meio do caminho pensei em tratar sobre política e direito em outro espaço (Blog Brasil para principiantes), projeto que não levei à frente, e agora estou de volta ao nosso "Expresso com Chantilly"...

Esse retorno foi inspirado por um blogueiro que descobri esses dias, chamado Matheus de Souza, que escreve sobre empreendedorismo, marketing digital, criatividade e produtividade, e tem uma startup digital em Santa Catarina. Num dos posts do blog, ele fala sobre como é fácil se acomodar e desistir de fazer certas coisas que nos trazem felicidade ou perseguir certos sonhos pelo simples medo do fracasso. E de como o mundo moderno trouxe uma infinidade de recursos através da Internet, aplicativos, redes sociais, que circulam conhecimentos numa velocidade espantosa e permitem a qualquer pessoa tentar qualquer coisa, desde que tenha interesse!

Quer um exemplo básico? Por exemplo, digamos que você nunca cozinhou na vida e resolve fazer um strognoff de frango. É só buscar na internet uma receita, conferir os ingredientes, ver as dicas das pessoas que já testaram a receita nos comentários e voilá, tá pronto o almoço! Já pode se sentir um "super chef"!! rs

Mas me parece que o excesso de informações, tutoriais e dicas, ao invés de auxiliar, muitas vezes se torna paralisante! E, ao invés de ajudar, trava, pois como saber se estou fazendo aquela receita, aquele projeto, aquela viagem, da melhor forma possível? E aí a gente para e deixa ideias maravilhosas irem minguando aos poucos, um pouco do que aconteceu com esse espaço aqui...

Aí me parece que o ideal é resgatar o motivo original pelo qual você se propôs a fazer aquele projeto e continuar, independente de mil receitas de sucesso que existam por aí, pois cada caminho e cada pessoa são únicos, não é mesmo? 

Por isso resolvi voltar, embora o blog seja bastante aleatório e não tenha um escopo definido, como ditam as melhores estratégias de marketing digital, tenho certeza que colocar as ideias que tenho na cabeça no papel vale a pena, pois resgata um hábito antigo que tenho desde pequena, escrever, escrever, escrever! Quem me conhece, sabe que estou falando a verdade! Sempre adorei escrever diários, cartas, cartões de natal, até chegava a pesquisar dizeres para fazer uma mensagem única e especial para a pessoa presenteada.. 

Agora, se isso vai ter algum objetivo, vai virar um livro ou filme, não importa, pois muitas vezes o principal motivador de uma decisão deve ser a resposta à uma única pergunta: isso vai te fazer mais feliz? Penso que de tudo o que falei, nesse mar de informações e escolhas em que vivemos hoje, esse critério pode ajudar a separar aquilo que vale a pena do que não faz mais tanto sentido assim...

Espero que você continue me acompanhando nessa retomada! Bj

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Jeitinho brasileiro

Olá pessoal!

Essa semana estreei a página do blog no Facebook! Não deixem de curtir a página e compartilhar os posts com seus amigos! A ideia é ter mais um canal de comunicação, além da página na Internet! ; ) 

Hoje vou falar de um dos meus livros preferidos, A cabeça do brasileiro, publicado em 2007 pelo cientista político Alberto Carlos Almeida, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF). O livro apresenta os resultados de uma pesquisa estatística feita com 2.363 pessoas das cinco regiões do Brasil, as quais foram entrevistadas para identificar quais seus valores fundamentais em relação à corrupção, jeitinho brasileiro, papel do Estado, família, sexualidade, preconceito racial e política de cotas, entre outros assuntos. 




Os questionários partiram dos conceitos introduzidos pela obra de Roberto daMatta, antropólogo brasileiro que interpretou as relações sociais no Brasil e imortalizou a expressão "Você sabe com que está falando?", que seria o símbolo da hierarquização presente na sociedade brasileira, em contraposição às relações de igualdade vigentes nos EUA. 

Como explica Alberto Carlos Almeida, nos EUA, a desigualdade é transitória e contratual, justificada, por exemplo, na relação entre patrão e empregado. Fora dessa esfera, todos são considerados iguais e devem igual respeito às leis e normas vigentes. Já no Brasil a sociedade é eminentemente hierarquizada, o que significa que a posição e a origem social definem aquilo que se pode ou não fazer, e se a pessoa está acima da lei ou deve cumpri-la. A consequência dessa mentalidade é o enfraquecimento do respeito às leis e às normas, uma vez que elas podem ser descumpridas por vários motivos, em razão da posição social do "infrator" (você sabe com quem está falando?) ou de uma situação excepcional que autoriza um tratamento diferenciado (jeitinho).

De acordo com a pesquisa, ao serem perguntados "se alguma vez na vida o entrevistado já havia dado um jeitinho para alguém", "se alguma vez na vida o entrevistado já havia pedido para alguém dar um jeitinho a seu favor" e "se alguma vez na vida o entrevistado já havia dado um jeitinho", cerca de dois terços dos entrevistados responderam já ter utilizado o "jeitinho" para resolver alguma situação.

O jeitinho seria aquela zona cinzenta entre o certo e o errado, em que o contexto e as circunstâncias autorizam "quebrar" regras para que determinadas pessoas sejam beneficiadas. Algumas situações identificadas  por parte dos entrevistados como jeitinho pela pesquisa foram "pedir a um amigo que trabalha no serviço público para ajudar a tirar um documento mais rápido que o normal", "alguém consegue um empréstimo do governo que demora muito a sair, porque tem um parente no governo" e "uma mãe que conhece um funcionário da escola passar na frente da fila quando vai matricular seu filho". 

Para o autor do livro, quanto maior a utilização desse meio-termo em uma determinada sociedade, maior a chance de existir grande tolerância com a corrupção, pois a concepção do que é certo e errado varia conforme a situação, ou seja, é circunstancial. 

Almeida também destaca que o "jeitinho" brasileiro pode ser visto positivamente, pois seria "uma estratégia de navegação social", necessária diante de um Estado altamente burocratizado e ineficiente que não confere acesso a direitos igualitários a todas as pessoas, possibilitando que essas pessoas conquistem direitos que não conseguiriam alcançar de outra forma. Também seria uma forma de romper com as relações sociais hierarquizadas, que determinam o que cada um pode conquistar.

A pesquisa sobre o "jetinho" comprova, empiricamente, que a base social brasileira está fundada na desigualdade. Para o autor, essa característica da nossa sociedade dificulta a consolidação da democracia no país, cujo fundamento é a igualdade. Em outras palavras, as crenças que permeiam o meio social também influenciam o meio político, o que significa que a evolução da mentalidade da população brasileira, através do acesso à educação, é essencial para a alteração do sistema político. 

Com certeza esse é um tema bastante provocativo, que não se esgota em um único post! Essa vinculação sugerida pelo livro entre as crenças e valores vigentes na sociedade brasileira e os reflexos no sistema político brasileiro me fez pensar, dentre outras coisas, que a máxima "cada povo tem o governo que merece" tem mais verdade do que gostaríamos...

E vocês, o que pensam sobre o "jeitinho"??   

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Saindo da crise


 Atualmente, virou  lugar comum ligar a televisão, acessar um site de notícias ou mesmo em uma roda qualquer de conversa, e se deparar com comentários e dados sobre a grave crise que assola nosso país, que acumula dados econômicos desanimadores, com aumento dos índices de inflação e da dívida pública, corte de vagas de emprego, aumento do preço da gasolina, do dólar, do euro... Ufa, a lista de más notícias econômicas é interminável, temperada por um cenário político extremamente turbulento que fomenta um clima de pessimismo e derrota no Brasil.

Nesse cenário desanimador, de acordo com dados pontuados pela antropóloga Miriam Goldberg, na Folha de São Paulo (http://www1.folha.uol.com.br/colunas/miriangoldenberg/2016/01/1728404-quero-ir-embora-do-brasil.shtml), foi registrado no primeiro semestre de 2015 um aumento de 37,5% dos casos de depressão, 60% dos casos de ansiedade e 27,7% dos casos de estresse entre executivos, gerentes e empresários brasileiros, quando comparado com o mesmo período do ano anterior. Segundo a colunista, a sensação de impotência relacionada à crise tem agravado esses problemas psicológicos e muitos encontram como solução "ir embora do Brasil".  (Curiosamente, enquanto procurava a referência  para esse post, digitei a expressão "quero ir embora do brasil" no Google e me deparei com 804.000 resultados.) Miriam finaliza com um questionamento: será que, ao invés de partir, não deveríamos tentar melhorar o Brasil? Partir seria a única saída?

É interessante como esses dados acima exemplificam algo que a Psicologia Positiva já vem estudando desde a década de 90 nos Estados Unidos, que é justamente o efeito contagioso  e reducionista das emoções negativas, que impelem o indivíduo a agir de forma impulsiva para afastar aquilo que é negativo, ao passo que as emoções positivas criam o efeito contrário - ampliam as possibilidades na mente daquele indivíduo que nutre essas emoções. É a chamada teoria do "broaden-and-build effect", cunhada pela professora da Universidade de Carolina do Norte, Barbara Fredrickson, segundo a qual sentir-se emocionalmente bem leva a uma forma de pensar mais integrativa, flexível e aberta a novas informações que, no futuro, podem auxiliar a vislumbrar novos caminhos. (Para mais informações sobre os estudos de Barbara Fredrickson, acesse o site em inglês:http://positivityratio.com/index.php) 

Claro que não estou aqui sugerindo a ninguém a "tática do avestruz", pois acredito que para mudar a realidade que nos incomoda, seja na nossa vida pessoal, no nosso emprego, na nossa comunidade, no nosso país, temos que antes de tudo reconhecer que algo não está bem. Mas será que focar apenas naquilo que não funciona aqui no Brasil trará alguma mudança positiva? Ou ainda, sonhar com uma válvula de escape trará essa tranquilidade tão sonhada?

Acredito que temos que começar, antes de mais nada, com uma mudança de atitude, interromper a espiral de negatividade que nos cerca e reconhecer as grandes mudanças que estamos presenciando no nosso país. E ter coragem para questionar qual o nosso papel e nossa responsabilidade nesse cenário, já que nosso país é fruto de uma construção coletiva de todos nós brasileiros. Em alguns países, essa construção já está bem mais avançada do que no Brasil,  mas essa evolução é plenamente possível de acontecer aqui. 

E finalizo com um pensamento arrebatador do fundador do Walmart,  o empresário Sam Walton, que ao ser questionado, em 1991, sobre o que pensava da crise que assolava os Estados Unidos à época, falou: "Crise? Pensei sobre ela, mas decidi não participar.".